Começa hoje, 1 de Janeiro de 2012, estendendo-se por mais um semestre, a presidência rotativa e de turno do Conselho [de Ministros] da União Europeia exercida pela Dinamarca. Infelizmente, nada nos leva a crer que seja muito diferente, para melhor, das que a antecederam. Já lá vão os tempos em que os semestres em que cada Estado estava incumbido de presidir à União Europeia constituíam momentos mobilizadores do respectivo empenho em prol do ideal europeu. Hoje, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa e com a institucionalização de um Presidente permanente para o Conselho Europeu, as presidências de turno estão desvalorizadas e secundarizadas. Dá por elas apenas quem, por dever de ofício, tenha de estar atento ao que se vai passando pela Europa. Para o cidadão europeu médio e comum, mesmo dos Estados que as exercem a cada semestre, são absolutamente irrelevantes. Como um dia se virá a constatar, sem medo de contradita, o Tratado de Lisboa redefiniu os poderes e a hierarquia entre os Estados-Membros da União, abrindo de par em par as portas ao directório das grandes potências e dos grandes Estados, deixando para segundo plano esse princípio verdadeiramente estruturante do projecto inicial comunitário que era o da igualdade entre os seus Estados-Membros. Igualdade apenas formal – dirão os partidários da realpolitik. Seja. Mas mesmo no plano formal o princípio está a ser subvertido a cada dia que passa. E isso não é bom para o projecto europeu nem pode augurar nada de bom à própria Europa da União.
Pesquisar por
Artigos recentes
Categorias
- Diário (59)
- Diário de Aveiro (71)
- Diário Económico (16)
- Jornal de Negócios (1)
- Jornal Económico (14)
- O Diabo (20)
Etiquetas
Adriano Moreira
Alemanha
Angela Merkel
Berlim
Brexit
Bruxelas
Catalunha
Chipre
Conselho Europeu
De Gaulle
Democracia-cristã
Donald Trump
Durão Barroso
Eleições presidenciais francesas (2017)
Emmanuel Macron
Espanha
EUA
Eurogrupo
França
François Hollande
François Mitterrand
Frente Nacional
Grécia
Helmut Kohl
In memoriam
Itália
Jacques Chirac
Jean-Claude Juncker
La République en marche
Londres
Madrid
Marine Le Pen
Moscovo
Muro de Berlim
NATO
Nicolas Sarkozy
Paris
Partido Socialista Francês
Portugal
Reino Unido
Rússia
terrorismo
Theresa May
URSS
Vladimir Putin